Hoje eu tenho muitas ações no exterior e percebi que minha carteira estava basicamente alocada em ativos no Brasil e Estados Unidos. Pensando em diversificar mais minha carteira para mitigar o risco de crises resolvi escolher algumas ETFs que são majoritariamente composta por ativos de países emergentes. Com isso eu tenho naturalmente uma diversificação bem maior e por serem países emergentes mais exposição a risco também – porém com potencial de upside grande. 

Para investir no exterior eu basicamente faço o seguinte:

  1. Compro dólar através da Remessa Online
  2. Envio o dólar para a corretora (uso a Interactive Brokers)
  3. Faço o investimento de acordo com alocação de ativos que vou relatar abaixo

Minha ideia é diversificar as ETFs da seguinte forma:

ETF% de alocação
IWVL15%
IWMO15%
IWDA15%
EMMV15%
EIMI15%
SLYV5%
QQQ5%
XSOE5%
VTI5%
VIGI5%

Hoje eu possuo todos os ativos que vou fazer 5% de alocação e o EIMI. O restante pretendo ir adquirindo ao longo do ano. Eu já tenho uma quantia pré-determinada que quero ter no exterior até fim do ano. Estes percentuais são relacionados a essa quantia.
Abaixo explico o racional de cada uma das ETFs escolhidas:

IWVL

Por que escolhi esse ativo? Ela investe em diversas ações globais que estão, supostamente, subvalorizadas em relação aos seus fundamentos. O bacana é que essa ETF oferece uma exposição global em vários países como EUA, Japão, Inglaterra, França e Alemanha.

Empresas famosas que fazem parte dessa ETF: Intel, AT&T, Toyota, CVC.

IWMO

Por que escolhi esse ativo? Este ativo é para investidores que querem se concentrar em ações que tiveram um forte desempenho recentemente e que ainda possuem uma tendência de alta nos preços. – ou seja, bem focada em Momentum. O bacana é que ela é super focada em momentum ela também tem exposição empresas globais.

Empresas famosas que fazem parte dessa ETF: Microsoft, P&G, Nestle, Visa, Mastercard, Hershey e outras.

IWDA

Por que escolhi esse ativo? O IWDA é uma ETF que visa rastrear um índice de empresas de grande porte em países desenvolvidos. O bacana é que ele investe em várias empresas globais em 23 países diferentes e focam em ter 85% das ações listadas em cada país. Essa é uma ETF muito focada em crescimento de longo prazo, afinal, ela investe em empresas que já são grandes.

Empresas famosas que fazem parte dessa ETF: Apple, Berkshire Hathaway, Booking, Siemens, Sony e várias outras..

EMMV

Por que escolhi esse ativo? Essa é uma ETF que investe em ativos de baixa volatilidade. O custo de administração até é elevado (0,4%) perto de outros ETFs, mas nada proibitivo. Ele parece uma boa escolha porque possui exposição diversificada em mercados emergentes e tenta minimizar os picos e vales desses mercado procurando sempre baixa volatilidade.

Para você ter uma ideia essa ETF é majoritariamente focada na China (com 29% dos seus ativos lá) seguidos por Taiwan e India com 17% e 9% respectivamente. Eles possuem vários ativos em outros países como Coréia do Sul, Malasia, Arábia Saudita, Qatar e tantos outros.

Empresas famosas que fazem parte dessa ETF: Samsung, Alibaba, Lenovo e algumas outras como BB Seguridades. Mas a verdade é que a maioria das empresas são completamente desconhecidas pelos Brasileiros.

EIMI

Por que escolhi esse ativo? Ele possui uma exposição em mais de 2.800 empresas de mercados emergentes de grande, médio e pequeno porte. É bacana estar alocado em empresas de diferentes portes porque acabo tendo um potencial de ganho mais alto devido as empresas menores que, naturalmente, tem mais potencial de expansão.

Empresas famosas que fazem parte dessa ETF: Alibaba, Tencent, Samsung, Naspers, Baidu e várias outras.

Durante a escrita deste artigo a maior parte dessa ETF está alocada em Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul e EUA. Existem vários outros países nela, como o próprio Brasil (que compõem 7% dos investimentos).

SLYV

Por que escolhi esse ativo? Essa ETF procura sempre estar de igual para igual com o índice S&P® SmallCap 600. O universo de ativos do S&P SmallCap 600 inclui todas as ações comuns dos EUA com tamanho de mercado geralmente entre US$ 400 milhões e US $ 1,8 bilhão. É um ETF menos focado em valor e muito mais focado em apostas por setor, especialmente setores indústrias, produtos cíclicos e tech. 

Empresas famosas que fazem parte dessa ETF: Korn Ferry, Abercrombie & Fitch Co, JC Penney, Haynes, Barnes & Noble

QQQ

Por que escolhi esse ativo? Essa ETF basicamente ignora todas as empresas financeiras na NASDAQ e segue as 100 maiores listadas na mesma. Apesar de eu gostar de investir diretamente em algumas das ações desse índice (majoritariamente empresas de tech), gosto dessa ETF porque ela escolhe apenas as maiores empresas da NASDAQ e facilita um bocado a alocação diversificada.

É típico que a mídia noticiosa se refira ao Índice Nasdaq como o “Nasdaq pesado em tecnologia”, mas esse termo pode ser enganoso, ou talvez o termo “estoque de tecnologia” seja obsoleto.

Eu poderia simplesmente comprar SPY (a mais popular ETF da NASDAQ) mas o QQQ ganha ano após ano, veja o gráfico abaixo: 

XSOE

Por que escolhi esse ativo? Ela investe em diversas ações globais que estão, supostamente, subvalorizadas em relação aos seus fundamentos. O bacana é que essa ETF oferece uma exposição global em vários países como EUA, Japão, Inglaterra, França e Alemanha.

Essa ETF segue empresas de mercados emergentes e exclui todas empresas estatais dos seus ativos. Pessoalmente eu gosto muito disso! Não sei se é devido a minha experiência com estatais aqui no Brasil mas parece que todas as empresas que possuem dedo do governo tendem a ser engolidas por alguma outra empresa privada. Eles definem como uma empresa estatal, qualquer companhia que algum governo possua 20% ou mais das ações.

Curiosamente o portfólio dessa ETF acaba sendo majoritariamente de empresas de tecnologia e consumo. Um ponto negativo é que a XSOE cobra uma taxa de administração altinha (0.58%)  – provavelmente por ser uma ETF bem incomum.

Empresas famosas que fazem parte dessa ETF: Alibaba, LG, Tencent, Samsung e até Ambev, Renner e B3

VTI

Essa ETF basicamente segue todo o mercado de ações dos EUA. Isso é bom do ponto de vista de diversificação pois você acaba investindo em empresas de todos os portes possíveis (de small caps a blue chips) e de todos os setores dos EUA.

Empresas famosas que fazem parte dessa ETF: Microsoft, JPMorgan, Johnson & Johnson, Disney, Coca-cola e muitos outros.

*Não posso esquecer que grande parte do meu conhecimento no mercado de investimentos é devido ao PLIN da Ice Investimentos. E nem tudo publicado aqui ele vai concordar.

Este post não é uma recomendação de investimentos.O intuito de postar sobre investimentos no meu blog é fornecer conteúdo gratuito na internet sobre o racional do processo de decisão de um investimento e, eventualmente, poder trocar experiências com a audiência do blog.As informações apresentadas aqui não têm como fim indicar se as empresas são bons ou maus investimentos, e não devem ser encaradas desta forma.

Aportes de janeiro:

  • ABCBRASIL (ABCB4)
  • BANRISUL (BRSR6)
  • FERBASA (FESA4)

Ativos liquidados em janeiro:

  • Zerei a posição em Kapitalo Kappa Ad FIC FIM com 7.90% de lucro
  • Zerei a posição em Alaska Black Inst com 17.73% de lucro
  • Zerei a posição em Iridium Apollo FIRF CP LP
  • Zerei posição na Smiles(SMLS3) com 11,12% de lucro

Liquidei os fundos porque eu já tenho uma previdência PGBL no Alaska Black e tava muito exposto nele. No caso da Kapitalo Kappo é porque não achei um bom fundo e preferi realocar esse valor para o exterior – o mesmo aconteceu com o Iridium e com o valor do Alaska. Os aportes para o exterior estão vão ser feitos em fevereiro e eu compartilho aqui quando terminar tudo.

Ainda preciso organizar melhor minhas coisas para não me dar tanto trabalho para compartilhar aqui com vocês. No próximo mês quero já conseguir compartilhar toda a minha carteira e quanto de lucro ou prejuízo tenho em cada ativo. Com isso sendo fácil de colocar aqui no blog vai sobrar mais tempo para compartilhar o porque de cada compra e/ou venda.

Distribuição da carteira:

Esse mês foi bom porque consegui bater o Ibov com uma boa diferença. Enquanto o Ibov fechou negativo em -1.66% eu consegui ter 1,05% de rendimento. 

Aproveitei para atualizar a tabela abaixo e coloquei um comparativo com a Magnetis também. É uma empresa que admiro e recomendo para todos que querem começar a investir, então sempre me desafio a bater eles. Como eles fazem o anúncio trimestral das suas carteiras não consigo comparar mês a mês, porém vocês podem ver que estou batendo eles no acumulado também. 

Sei que estamos praticamente em Março. Mas nunca é tarde, né? 🙂

Eu faço objetivos anuais tem muito tempo – mais de 6 anos na verdade. Mas somente agora, em 2020, eu resolvi compartilhar eles publicamente. Em alguns experimentei um formato no qual fazia atualizações trimestrais com um grupo de amigos mas agora quero ver como vai ser a experiência de tê-los aberto ao público. Por fim, espero que eu estar compartilhando com vocês inspire vocês a fazerem o mesmo (caso ainda não faça). Posso dizer que ter os objetivos anuais bem definidos mudaram minha vida e fizeram com que eu alcançasse coisas que nem imaginaria.

Por que ter objetivos pessoais bem definidos?

Todos nós queremos coisas na vida, seja ter mais dinheiro, perder peso ou realizar viagens diferentes. Mas a vida também quer coisas de nós e para conquistar algo você geralmente precisa fazer por onde. Os objetivos me ajudam a avançar na vida mesmo quando a própria vida fica gritando para que a gente se concentre no agora! Pagar boletos, fazer o imposto de renda, pagar o aluguel, fazer supermercado, levar a louça…
Vou explicar como faço os objetivos para me manter focado durante o ano. Nem sempre eu os alcanço mas o que também importa é o processo de tentar.

O que evitar na hora de criar seus objetivos?

Nesses vários anos de objetivos anuais com acompanhamento mensal eu aprendi algumas coisas e queria deixar elas aqui para vocês. Primeiro, nunca torne um objetivo algo que já vai ser feito ou está no caminho. Vamos supor que você já tem três palestras agendadas para o ano, colocar isso como objetivo não leva a lugar algum. Os seus objetivos devem existir para proteger os sonhos que você tem medo de abandonar.

Os seus objetivos devem existir para proteger os sonhos que você tem medo de abandonar.

Chega de filosofar! Esses são os meus objetivos de 2020:

[imagem]

Como vocês podem ver separo o marco objetivo como se fosse uma categoria para o objetivo anual e tenho um progresso que verifico mensalmente. As ações mensais eu altero no inicio de cada mês que é quando faço o planejamento do que pretendo fazer para tentar alcançar aquele objetivo. 

Também coloquei um peso em cada objetivo para representar claramente a prioridade de cada um deles. Dessa forma eu consigo decidir mais fácil quando tenho um impasse como “Escrever um artigo ou ir para academia?” ou “Ir para balada na sexta, encher a cara versus dormir cedo para ser produtivo no sábado?”

Como vocês podem ver estou um pouco atrás nos objetivos, mas como são coisas anuais imagino que ainda posso correr atrás e recuperar. Vocês também podem observar que eu coloquei alguns objetivos das empresas que tenho e explico o porque: Ter side projects é algo que eu gosto muito e para isso é necessário saber controlar MUITO BEM o meu tempo. Então acho que os objetivos dos side projects precisam fazer parte dos meus objetivos pessoais também – afinal, diferente do meu trabalho oficial, estou usando tempo de lazer para isso (apesar de eu considerar boa parte dos meus sides projects lazer).

Pretendo fazer as atualizações dos objetivos mensalmente aqui. 

Já tem um tempo que eu gostaria de estar falando sobre investimentos. Então decidi criar uma seção aqui no blog para todo o mês postar uma atualização da minha carteira e, eventualmente, dar um pitaco em alguma coisa no mercado ou em como investir. Não me considero um expert no assunto então você vai ver muito mais eu compartilhando meus resultados e carteira do que falando o que fazer ou como fazer.

Eu já venho compartilhando sobre investimentos com alguns amigos já tem alguns bons anos (aprox. 10, na verdade). E acho que o comprometimento de ter pessoas vendo seus resultados, comentando, tirando duvidas e criticando-os é uma excelente forma de se manter “em forma”.

Nessa seção não pretendo abrir os números do meu patrimônio. Então o tempo inteiro estarei falando somente de % ganho e mostrando quais ativos eu possuo. 

Ano passado, 2019, foi um grande ano para minha carteira. Consegui economizar bem durante o ano e fazer ótimos aportes. O mercado de maneira geral foi bastante generoso também e isso ajudou na rentabilidade. O problema é que com mais patrimônio investido mais você precisa diversificar e esse é um desafio que vou encarar em 2020 – tudo será compartilhado aqui com vocês (exceto os valores em reais! hehehe).

Rentabilidade da minha carteira desde março de 2016 (não tenho tracking de antes disso).

Como vocês podem ver eu não estou batendo o Ibovespa no acumulado. De qualquer forma isso não é algo que muitos gestores conseguem fazer, então confesso estar bem satisfeito com meus resultados. +30% no ano? Good as fuck! Quando comecei a investir só queria poder bater o CDI e eu só acompanhava ele como indicador principal. Somente agora, a partir de 2020, minha meta se tornou bater o Ibov. Vamos ver como vai ser. Já comecei perdendo mas espero conseguir recuperar essa diferença.

Vamos a carteira agora. Essa é a distribuição dela atualmente

Ainda em janeiro devo realizar vários aportes no exterior para reduzir minha exposição de risco ao Brasil. Quando eu fizer o post de fevereiro atualizando a carteira eu conto a rentabilidade de janeiro e as movimentações que foram feitas em janeiro. Em breve devo realizar outro post no qual eu detalho cada ativo das categorias mencionadas acima. 

Tem se tornado cada vez mais comum as pessoas me perguntarem porque eu não estou focado full-time em um (ou nos dois) side projects – PM3 e Product Camp. A verdade é que existe uma série de motivos pelo qual eu não estou e não pretendo tocar nenhum deles full-time no curto ou médio prazo. Até falei um pouco sobre isso no recém lançado episódio de podcast do Product Backstage do Alexandre Spengler.

1. Contexto

Comecei a construir produtos como hobby antes da faculdade — na época eu nem chamava de produto… Já tive site de pirataria, blog de memes, blog de opinião, blog de tecnologia, um site chamado “Aplicativo Do Dia”, Podcast e várias outras coisas que nem falo publicamente. Mas nada era muito sério e sempre rolava em paralelo com algumas outras coisas.

1.1 A primeira startup

Em meados de 2014 eu estava no Grana e o negócio só crescia — chegamos a bater +100k usuários únicos com uma retenção acima da média dos apps de finanças pessoais. Era somente eu e mais um sócio e parecia fazer muito sentido pedir demissão do Easy Táxi (onde eu trabalhava na época) para tocar a startup full-time. Afinal, se comigo part-time estava indo bem, imagina full-time, né? Ledo engano… Só piorou tudo.

Se dedicar full-time num projeto não é a receita do sucesso. Eu sei que isso pode parecer muito diferente do que a gente tá acostumado a ler nas histórias famosas. Mas a realidade, meu amigo, é bem diferente. Acho que várias pessoas podem passar ou estão passando pelos mesmos questionamentos — “devo tocar full-time agora ou não?”. Por isso resolvi compartilhar um pouco da minha experiência e como eu enxergo as vantagens de estar sendo um “Empreendedor Híbrido”.

2. Empreendedores híbridos

A indústria criou aquela imagem sexy de um empreendedor trabalhando duro, dedicando 100% do seu tempo em seu novo empreendimento, ficando até as 4 da manhã trabalhando em sua mais recente inovação.

Mas isso é a realidade do empreendedorismo? Se você tem uma ideia de um novo negócio, é realmente melhor sair do seu trabalho estável que dá um salário regular? Ou o ideal é tomar um caminho mais seguro?

De 1994 a 2008, dois pesquisadores acompanharam um grupo de possíveis empreendedores para responder exatamente a essa pergunta: quando você inicia um negócio, você tem mais sucesso se você mantiver o seu emprego fixo ou se você se dedicar full-time ao novo negócio?

(Link da pesquisa: https://sci-hub.tw/10.5465/amj.2012.0522)

Eles analisaram mais de 5.000 pessoas nos EUA que se tornaram empreendedores durante 15 anos. Os participantes do estudo tinham 20, 30, 40 e 50 anos e atuavam em diferentes indústrias. Houve uma resposta bastante clara:

aqueles que mantiveram seus empregos fixos possuem 33% menos probabilidade de falhar no seu novo negócio.

Hoje, ao ver a pesquisa e conectar os pontos das minhas experiências passadas, vejo que faz total sentido — afinal, abandonar seu emprego fixo para abrir uma empresa é como propor uma pessoa em casamento no primeiro encontro.

Abandonar seu emprego fixo para abrir uma empresa é como propor uma pessoa em casamento no primeiro encontro

  • 1905. Albert Einstein trabalhava seis dias por semana em tempo integral em um escritório examinando pedidos de patentes. Ele dedicou todas as horas que sobravam para estudar e fazer experimentos físicos. Um dia, a Teoria da Relatividade foi concebida.
  • 1964. Phil Knight passou cinco anos vendendo calçados esportivos antes de deixar seu emprego em tempo integral na área de contabilidade. A empresa que ele começou? Nike. (Por sinal recomendo demais ler o livro Shoe Dog)
  • 1976. A Apple nasceu em uma garagem, não em um escritório. Steve Jobs e Steve Wozniak, só conseguiam trabalhar no seu “projeto maluco sobre computadores pessoais” depois do expediente padrão dos seus empregos fixos..
  • 1985.O autor de best-sellers, John Grisham, era advogado e acordava todos os dias às 5 da manhã para escrever histórias antes de ir para o seu emprego. Ele fez isso durante três anos, recebeu múltiplas rejeições de editoras, e depois foi finalmente aceito e publicou seu primeiro livro.
  • 1993. Craig Newmark, empregado em uma empresa de investimentos, iniciou uma lista de e-mail no seu tempo livre para que ele e seus amigos pudessem se atualizar sobre diferentes eventos na cidade. A lista cresceu tanto que não havia espaço suficiente nas caixas de entrada das pessoas: era hora de um site. Nasceu o Craigslist.com.
  • 2009. Markus Persson era um programador que gostava de desenvolver games como side project. Ele colocou o Minecraft, ainda inacabado, em um portal de jogos. Markus manteve seu emprego durante um ano antes de se comprometer 100% do tempo com o Minecraft em tempo integral — que posteriormente vendeu para a Microsoft por US$ 2,5 bilhões.

Isso sem mencionar tantas outras empresas de sucesso que surgiram como side projects (Facebook, Product Hunt, Trello, AppSumo etc…).

2. Barbell Strategy — Os aprendizados ao mitigar riscos

Nassim Nicholas Taleb — autor do livro Antifrágil – fala que fazer all-in em alguma coisa — qualquer coisa, seja investimentos ou em projetos — torna você frágil. Com essa premissa ele incentiva os leitores a adotarem o que ele chama de “Barbell Strategy”. Barbell é um tipo de equipamento usado para levantamento de peso, basicamente é uma barra longa com dois pesos em extremidades opostas que criam estabilidade. De acordo com Taleb essa estratégia é uma forma de se proteger em algumas áreas e correr riscos em outras. Ele diz que ela oferece dois grandes benefícios:

  • É mais provável que você corra riscos maiores que podem dar um retorno enorme quando você sabe que o fracasso não vai prejudicar completamente sua vida.
  • Mesmo se você falhar, você ainda estará bem e poderá arriscar novamente quando quiser.

Depois de empreender full-time no Grana e fracassar, decidi que só iria fazer isso novamente — e se fizer — diante de uma situação completamente diferente, na qual eu não precisaria viver comendo miojo e me privar de várias outras coisas.

Porém, mesmo com o objetivo de não empreender tão cedo, é difícil ver algumas oportunidades passarem e não fazer nada. A partir daí surgiu a PM3 e o Product Camp, ambos como side project. Eu amo trabalhar com produto e impactar positivamente a empresa e milhares de pessoas através da tecnologia. Fora o benefício de ser uma profissão que paga muito bem, eu ainda tenho a chance de trabalhar com pessoas que admiro (geralmente, rs). Então por que não usar a barbell strategy e ainda aproveitar das vantagens de um bom emprego fixo?

2.1 Assertividade

Como empreendedor essa estratégia me permite ser mais seletivo no que eu quero atacar em cada side project. E. sinceramente, eu acho que isso me faz um empreendedor melhor. Eu sinto que acabo ficando mais relaxado (mas não tanto) e dou uma arriscada que em outra situação eu talvez não fizesse, porque eu sei que o fracasso é, na verdade, algo que eu posso conviver. Tem vezes que fico com vontade de me dedicar somente aos meus negócios? Com certeza! Mas eu acredito que side projects crescem em pequenas janelas de tempo que dificilmente afetam o seu dia, mas que acabam se acumulando ao longo de semanas e meses.

Por exemplo, a PM3 está cada vez maior (mês após mês) e eu, nem o Dan e Bruno (os outros fundadores da PM3), precisaram deixar o seu emprego para a empresa crescer e lançarmos coisas novas como a Biblioteca. Outro exemplo é o Product Camp, pois mesmo sendo um side project, este ano conseguimos lançar mais um evento e outros 4 workshops, além de escalar o evento para keynotes internacionais. Basta você se organizar, se dedicar e fazer acontecer. Todos nós sacrificamos algumas horas da vida pessoal ao longo da semana para resolver todas as pendências — seja para responder emails ou lançar coisas novas. E dá pra fazer isso, por exemplo, de manhã cedo antes de ir para o ‘trabalho de verdade’.

Side projects crescem em pequenas janelas de tempo que dificilmente afetam o seu dia, mas que acabam se acumulando ao longo de semanas e meses.

Todo mundo tem janelas de tempo livre no seu dia. O ‘macete’ é proteger essas janelas de tempo. Proteja de uma maneira como protege outras coisas que você prioriza. Se for necessário colocar um aviso “não perturbe” na porta do seu quarto para os seus familiares não interromperem você, faça.

Ao mesmo tempo, não coloque muita pressão em relação a prazos. Side project precisa ser divertido e não uma obrigação.

2.2 Side project não precisa de investidores e pode ser livre de pressão

Se você tem uma empresa bootstrapped e rentável como a PM3, você tem a liberdade de experimentar como e na velocidade que quiser — sem investidores pressionando e com a possibilidade de correr os riscos que quiser.

Essa é outra grande vantagem de um side project, você não precisa ser altamente focado em ter ROI e resultados financeiros para agradar o board. Porque quando se trata de side projects, algumas coisas não acontecem como foram planejadas (tanto para o bem quanto para o mal). Então é algo que você pode fazer sem expectativas e ver o que acontece.

Não tenha medo de investir tempo e esforço em algo que realmente mexe com você. Muita gente comenta comigo “nossa, mas você não cansa de fazer tanta coisa assim?” A verdade é que um bom side project não distrai ou cansa você, na verdade ele energiza você.

Isso pode vir com um certo “preço” a ser pago — algumas saídas a menos nas noitadas, menos tempo para “dates” e coisas do tipo. Mas sendo algo que me energiza e me deixa empolgado, qual o mal na verdade? É tudo uma questão de saber balancear. Ser capaz de fazer isso também tem muito a ver com o momento de vida de cada pessoa — conseguir fazer isso bem tendo filhos e sendo casado é muito mais complexo (eu imagino, já que não é meu caso) pois uma família demanda tempo e dedicação bem maior que o um side project.

E se der errado?

Na pior das hipóteses, você sacia sua curiosidade. Numa hipótese melhor, você se torna um profissional melhor e mais preparado para encarar um desafio em empresas antigas ou modernas. Numa hipótese perfeita, você encontra o trabalho da sua vida.
*Originalmente publicado no blog da PM3

Compartilhe conhecimento e ajude a subir a barra da área de produto e tecnologia no Brasil e América Latina

Quer ser palestrante do Product Camp 2019? Agora você pode compartilhar conhecimento, criar conexões e ajudar a subir a barra da área de produto e tecnologia no Brasil e América Latina.

Como funciona?

Para participar, faça a sua inscrição por meio desse formulário, defina a categoria da palestra (leaner, better, faster ou stronger), qual trilha você quer participar (Produto, Growth e UX) e o nível da palestra (básico, intermediário ou avançado) bem como uma explicação de porque sua palestra é única.

Cronograma:
  • Deadline de submissão para a Pcamp19: até 1 de setembro, às 23:59
  • Período de curadoria pelos coordenadores de trilha: 1 de setembro a 10 de setembro
  • Período de aceite dos participantes: até 7 dias (a partir do contato dos coordenadores de trilha)

Divulgação dos aprovados no site, após o término da curadoria.

Clique aqui para submeter sua palestra!  Dica: Leia os conteúdos que queremos para a edição desse ano
O Product Camp 2019 acontece nos dias 10 e 11 de dezembro no Centro de Convenções Frei Caneca em São Paulo.

Product Camp 2019 — Leaner, Better, Faster, Stronger.Ingressos a venda no site: www.ProductCamp.com.br

Este é o conceito que estamos trazendo para a Product Camp 2019.

Acreditamos que esse lema — inspirado na música do Daft Punk — diz muito sobre o universo de Product Management.E todo o conteúdo terá como norte esses 4 conceitos.

  • Leaner porque queremos fazer as coisas de maneira mais enxuta. Direto ao ponto, sem desperdícios de tempo, de dinheiro, de over-engineering ou de estudos desnecessários (mas os necessários têm que ser feitos!).

Os conteúdos “leaner” trarão hacks, MVPs e cases de “build to learn”.

  • Better porque um produto de sucesso deve, obrigatoriamente, tornar a vida das pessoas melhor. Você precisa adicionar valor! Em paralelo, todo produto precisa gerar retorno para quem o faz; ou seja, as métricas de negócio também precisam melhorar!

Conteúdos “better” serão cases de muito discovery, entendimento do problema e construção de soluções que, mesmo começando por MVPs, se tornaram cases de sucesso em entrega de valor e ROI para a organização.

  • Faster porque está cada vez mais difícil achar “oceanos azuis”, então você precisa de velocidade para ganhar mercado e conquistar o coração dos usuários.

Conteúdos “faster” serão atalhos de discovery, cost of delay / time to market e pequenos cases de fracasso (“fail fast”) que geraram aprendizado e evitaram problemas maiores.

  • Stronger porque um produto precisa de força para se sustentar no longo prazo. Não estamos correndo os 100m rasos, estamos em uma longa maratona!

Conteúdos “stronger” serão focados em profundidade, estratégia de produto e construção de negócios sólidos no longo prazo.

Em 2019, estamos assumindo a missão de subir a barra da gestão de produtos no Brasil.
Sabemos que nossa audiência é exigente e bastante crítica.
Sabemos que você quer ver novidade nos palcos e stands.
Por isso, subir barra é algo que também depende de você!
É a sua empresa que vamos buscar para patrocinar o evento.
Pode ser você um palestrante, painelista ou mediador selecionado.
E as perguntas que faremos ao final de cada talk poderão partir de você também.
Por isso, queremos convidar você a participar dessa missão.
Vamos fazer Produtos de maneira mais enxuta, melhor, mais rápido e mais robusta!
Product Camp 2019 — Leaner, Better, Faster, Stronger.
Ingressos a venda no site: www.ProductCamp.com.br

*Agradecimentos especiais ao Raphael Farinazzo na criação do conceito.

Originalmente publicado no blog da Cursos PM3

No decorrer dos últimos anos dei uma série de palestras enquanto estudava sobre vários assuntos de produto, como Visão de Produto, As verdades sobre ser Data-Driven, contei cases meus de Teste A/B, aprofundei no polêmico tema “Roadmap” e alguns outros tópicos. Mas um dos assuntos que mais gosto é estratégia de produto (ou Product Strategy para os mais chegados).

Como o alcance de qualquer palestra é limitado, resolvi fazer um artigo condensado alguns aspectos sobre Product Strategy. Porém, assim como a maioria dos artigos que tenho escrito ultimamente, este acabou ficando bem longo também. Então esteja bem acomodado ou vá lendo aos poucos.

Gerenciando um produto

Diferente do que muita gente pensa, gerenciar um produto não é tão simples quanto parece. Você precisa organizar os processos, motivar e influenciar as pessoas certas para fazer com que o produto seja um sucesso.Mas como evitar que um produto vire um Frankestein com tanta demanda de diferentes áreas? Bom, pra começar você precisa ter duas coisas: i) Uma visão para o seu produto e; ii) Gerenciar ele baseado nessa visão.

OBS: Eu escrevi sobre isso em meados de 2016 e você pode ler aqui. É importante para o entendimento desse artigo e não acho que vale a pena estender o assunto aqui já que essa parte do conteúdo está disponível em outro local.

1. Lidere com o problema e não com a solução

Esse é o cerne de todos os problemas de estratégia de produto. Peguei o conceito da Pirâmide do Product-Market Fit do Dan Olsen para ilustrar melhor esse erro clássico.

O foco do time de produto deveria ser na proposta de valor e nas necessidades não atendidas, conforme a imagem abaixo — é justamente onde você encontra o Product-Market Fit e possíveis alavancas para melhorar seu produto. Por isso é tão importante executar bem a fase de Discovery (mais detalhes sobre discovery em artigos futuros).

1.0.1 Ilustrando com Jobs to be done

O problema é que naturalmente nós pensamos nas soluções antes de entender o problema e por isso muitos times de produto (normalmente os ruins) focam em UX e conjunto de features. Tenho certeza que você já leu isso em vários lugares diferentes então vou poupar explicações e ir direto para exemplos práticos.

Jobs to be Done é uma boa forma de ilustrar como focar em problemas e não em soluções. Veja o caso abaixo, o consumidor simplesmente quer conselhos que ele possa confirar, ter uma direção certa do que fazer, se sentir motivado e inspirado etc. A forma que você alcance esses objetivos pouco importam — e essa forma são geralmente as soluções.

1.1 Exemplo Zendesk

O Zendesk foi lançado em 2007 mas levou 6 anos de muitos experimentos e investimentos para que eles lançassem o Help Center, o qual é uma extensão natural do serviço de tickets deles. Posteriormente eles cresceram tanto que criaram o Zendesk Suite que é composto por uma série de produtos que resolvem problemas distintios.Qual o aprendizado que podemos ter com o Zendesk aqui? Eles só expandiram o produto quando acharam que tinham resolvido o primeiro problema.Referência: https://www.zendesk.com/company/press/zendesk-announces-60-million-financing/

1.2 Exemplo Easy Taxi Empresas

Apesar de ser um produto que está prestes a acabar (Cabify adquiriu o Easy Taxi e o branding do Cabify deve ser mantido enquanto o do Easy desaparece) durante o período que trabalhei no Easy Taxi deu para ver um bom trabalho sendo executado. Quando lançamos o Easy Taxi Corporate ele era uma extensão natural do aplicativo de pedir corridas de Taxi porém focado para as empresas e com o objetivo de facilitar o reembolso e gastos por centro de custo. A versão para empresas só foi lançada depois de alguns anos e durante um bom período foi um dos produtos mais lucrativos da empresa.

A mesma lição que tivemos com o Zendesk podemos ter com o Easy Taxi — apenas expandir o seu produto quando você resolver muito bem um problema.

2. O que fazer depois de encontrar market-fit?

Só quando seu produto solucionar muito bem um problema você pode se preocupar em expandi-loImagine uma tesourinha de cortar unha. É muito fácil de explicar o que ela faz e, por consequência, é fácil de vender. Quer cortar unha? Compre uma tesourinha! Ela é fácil de manusear porque ela faz uma coisa com excelência — sem mencionar o fato de que ela é rápida para ser criada e testada.

Agora coloque um canivete suiço do lado de uma tesourinha de cortar unha. O que o canivete suiço faz bem? Você já cortou a unha com algum? Aposto que não… No mundo real a gente não costuma utilizar ferramentas que fazem de tudo. Se o seu amigo precisa de ajuda para colocar alguns parafusos com certeza não vai ser com um canivete que você vai apertar os parafusos. É muito legal e bonito falar que você tem um (assim como as empresas costumam fazer com o seu produto cheio de funcionalidades). Mas no mundo real, é dificil explicar para que ele serve, até porque ele não faz nada bem — o que prejudica a adesão do produto.

Existe um grande pesquisador da teoria dos sistemas chamado John Gall que concluiu que um sistema complexo que funciona bem evoluiu de um sistema simples que funcionava bem. De acordo com a Lei de Gall, um sistema complexo não pode ser projetado a partir do zero, caso contrário ele não vai funcionar bem e não vai poder ser consertado. É necessário que ele surja a partir de sistemas simples. Gall disse isso em 1975 e até hoje é válido. Encaixa em todos os conceitos de lean startup, ágil etc.

“Um sistema complexo que funciona é invariavelmente a evolução de um sistema simples que funciona. Um sistema complexo projetado a partir do zero nunca funciona e não pode ser consertado. Você tem que começar partindo de um sistema simples”Lei de Gall

2.1 Regra de bolso: O que pensar antes de criar novas funcionalidades?

  1. Está dentro da sua visão? Ela vai manter ou tirar você do caminho da visão?
  2. Vai fazer sentido em 5 anos? Ela não vai se tornar obsoleta em 5 anos?
  3. Ela beneficia todos os usuários? Se não todos, pelo menos a maioria? (Você precisa evitar fazer funcionalidades que beneficiem poucos clientes)
  4. Qual o objetivo? Melhorar alguma coisa que não está bem feita? Aumenta o uso do produto?
  5. E se a funcionalidade for um sucesso e todo mundo tiver usando, vai ser possível dar suporte para ela?

Confesso que na correria do dia a dia nem sempre consigo seguir essas regras de bolso mas me esforço ao máximo. Antes de pensar em avançar na criação de alguma funcionalidade me questiono com as perguntas acima. Isso tem me ajudado muito em todos os projetos que participo e dessa maneira quase nunca fugimos da visão/direcionamento estratégico.

2.2 O problema que ninguém vê em produtos com muitas funcionalidades

Existe uma diferença entre fazer um produto simples, e fazer o produto ser simples.

Se você fez um bom trabalho, você vai entregar o MVP do seu produto em algumas semanas. E como ele é bem enxuto você vai perceber que a maioria das pessoas está usando tudo. O que importa é que elas estão realmente fazendo o que você quer que elas façam.

No exemplo da imagem imagine que você criou um MVP de um app de finanças pessoais. Neste caso todas as funcionalidades estão sendo utilizadas quase que igualmente. Mas o seu produto vai evoluindo e evoluindo… Então em algumas semanas você simplesmente cria outras funcionalidades.

Você lança mais funcionalidades achando que todas elas vão continuar sendo usadas bastante. Mas mesmo que você erre, vocês devem estar imaginando que o pior cenário é o ao lado “Ah, se der ruim as pessoas não vão utilizar as funcionalidades novas mas as antigas vão continuar com uso alto”

Você lança mais funcionalidades achando que todas elas vão continuar sendo usadas bastante. Mas mesmo que você erre, vocês devem estar imaginando que o pior cenário é o ao lado “Ah, se der ruim as pessoas não vão utilizar as funcionalidades novas mas as antigas vão continuar com uso alto”

Quando na verdade o pior que pode acontecer é cair o uso de quase todas as suas funcionalidaes — impactando o produto de maneira geral. Afinal ele ficou mais complexo.

Agora imagine um cenário mais ou menos como o da imagem ao lado. Isso significa que você tem um produto incrivelmente bom nessas duas áreas. Mas que você adicionou um bocado de porcaria junto. Imagine se chega algum competidor e pensa “Opa. A melhor parte na verdade é só essa. Então vou criar um produto que só é bom nisso e acabar e ganhar o mercado”. Nessa hora que um novo player domina o mercado.

Evite criar funcionalidades que não são necessárias. E se por acaso você errar (quem nunca desenvolveu algo que não devia?) tenha coragem para matar a funcionalidade e lide com os stakeholders e aqueles poucos usuários chateados.

2.2.1 Você precisa ser bom no que importaExemplo 1: Google+ e Hangouts

O Google também seguiu a mesma linha com Hangouts. Ele surgiu dentro do Google+ e rapidamente o Google viu que o Hangout gerava muito mais engajamento que o Google+ e desmembrou eles (sábia decisão).

Também temos o Facebook como grande exemplo disso. Lembram quando era tudo junto? O aplicativo de mensagens junto com a rede social? Eles primeiro separaram o aplicativo e em seguida separaram no site também. Agora você pode acessar exclusivamente o Messenger do Facebook — mesmo sem ter um perfil no Facebook.

2.2.2 Não adianta ser bom no que importa se você pode ser facilmente copiado

Sou extremamente cético em relação ao futuro do Dropbox e muito curioso em ver pessoas inteligentes apostando nele como uma empresa que vai ser duradoura. O Dropbox é um ótimo serviço de sincronização de arquivos e já fizeram uma baita grana inovando no segmento — mas tenho a impressão muita gente ficou cega pela emoção do Dropbox ser um utilitário bem elaborado e esqueceram de olhar por outra perspectiva. Na prática o Dropbox é facilmente copiável e rapidamente se tornou praxe sistemas operacionais terem um sistema de cloud nativo — prejudicando o market share do Dropbox.

Apesar de muita gente ainda acreditar neles já dá pra ver uma resposta do mercado onde eles não enxergam um futuro próspero para o Dropbox — a não ser que algumas medidas drásticas sejam feitas. Veja o valor da ação abaixo:

Em 2018, as receitas do Dropbox aumentaram 26% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 1.4 bilhão. Apesar de ser um bom crescimento, está abaixo de 31% e 40% que foram as taxas de crescimento de 2017 e 2016, respectivamente. Provavelmente isso está relacionado ao fato de estar muito mais fácil ter Cloud Storage — hoje temos o Google syncando tudo (Google Photos, Drive, etc), a Apple fortíssima como iCloud e até a Microsoft com o One Drive.

Querendo ou não quem está numa posição competitiva vantajosa são as empresas que são donas de sistemas operacionais: Apple, Microsoft ou Google. Cada uma dessas empresas tem uma solução similar ao Dropbox que já integra ao sistema e, sem esforço algum, o usuário tem seus arquivos salvos na nuvem.

O Dropbox obviamente está trabalhando para deixar de ser apenas uma “funcionalidade” e se posicionar diferente perante outras alternativas. Por isso não adianta você ser incrível em alguma coisa se pode ser facilmente copiável. Em 2009, Steve Jobs queria pagar mais de US$ 100 milhões pelo Dropbox, mas o CEO Drew Houston recusou a oferta e logo em seguida (talvez num ato de raiva) Jobs disse que o Dropbox era uma funcionalidade e não um produto. Ao meu ver ele estava certo. 10 anos depois dá pra ver que as empresas que possuem sistemas operacionais tem uma grande vantagem e não precisam do Dropbox.

Na verdade, até hoje, o Dropbox frequentemente tem problemas em sincronizar alguns arquivos. Vou usar como exemplo o Office, se você esquecer de fechar ou salvar o arquivo do Word no seu computador, ele não estará sincronizado no seu Dropbox. Isso não é culpa do Dropbox — é o Office que bloqueia esse tipo de ação. Mas isso destaca o que estou falando: o Dropbox só tem controle sobre uma pequena parte dos sistemas operacionais.

Tentando se diferenciar

O Dropbox já adquiriu pelo menos 10 empresas e a mais recente foi a HelloSign. Essa aquisição elimina a necessidade de integrar com outros serviços de assinatura (Docusign, Adobe Sign etc) e faz com que os usuários continuem dentro do ecossistema do Dropbox. Ter uma assinatura eletrônica nativa pode tornar a plataforma mais atraente para as empresas e ao meu ver esse movimento tem como objetivo principal entrar mais forte no mercado enterprise já que o B2C está saturado com o Google, Apple e Microsoft — isso inclusive faz com que a empresa ataque mais fortemente o seu outro concorrente Box.

2.3 Celebre o uso e não a entrega

Manifesto agil fala da entrega. Só que mais importante que isso é o uso. Inclusive é algo que o manifesto agil deveria evoluir e na minha visão está desatualizado.Outra opção seria criar um manifesto de produto, afinal na época da criação do Manifesto Ágil o mundo pensava muito em entregar valor para os clientes e não entender o problema em si. De qualquer maneira isso é um bom assunto para outro artigo.

  • Mas ressalto estes 3 pontos:
  • Entregar algo não é nada.
  • Taxa de uso é TUDO.
  • Faça mais pessoas usarem uma funcionalidade ou faça elas usarem mais do que o normal.

Recapitulando antes de irmos pra última parte do artigo:

Pra gerenciar bem o escopo de um produto, é necessário sempre medir as funcionalidades que estão sendo usadas. Entender que mais funcionalidades não vão necessariamente te dar mais usuários. E o ideal é primeiro resolver um ou dois problemas muito bem antes de pensar em evoluir o produto, afinal, você minimiza suas chances de erro começando por sistema simples ao invés de começar desenvolvendo um sistema complexo. E, por últitmo, considere sempre deixar os seus produtos desacoplados caso você detecte que eles possam ter propósitos diferentes porém com uma integração de sistemas útil para a maioria dos usuários.

3. Erros comuns de estratégia de produto

3.1 Querer se provar

Empresas, principalmente startups, cometem um erro de querer “se provar” com mais funcionalidades — como se isso fosse um diferencial hoje em dia. Você prefere o Excel ou o Google Sheets? É óbvio que o Excel tem mais funcionalidades, em especial as avançadas, mas o Sheets engoliu uma bela fatia do mercado com a simplicidade e focando em necessidades mais abrangentes como, por exemplo, edição de múltiplas pessoas em tempo real — algo que a Microsoft teve que copiar anos depois, com o Office 365.

3.2 Intuição levando ao erro

Muitas vezes a gente se pega pensando “Agora com essa nova funcionalidade os downloads vão aumentar!” ou algo como “Agora com essa funcionalidade vamos ter 1000 clientes novos pagando”. Embora isso possa acontecer, as chances de você estar enganado são enormes. Não se iluda! Nessa hora é importante lembrar da visão e seguir com ela independente das funcionalidades.

3.3 Falha na hora de gerenciar o portfólio de produtos (apenas para times maiores)

Uma das coisas mais difícieis em gerenciar um portfólio de vários produtos é fazer uma boa priorização de iniciativas. As empresas disfuncionais tendem a considerar todas as iniciativas como alta prioridade e isso, obviamente, torna tudo muito complicado.

Pela minha experiência os 4 maiores erros na gestão de um portfólio são os abaixo (em ordem):

  1. Projetos demais para a capacidade da empresa. Geralmente é um problema de alocação de pessoas. Empresas disfuncionais tendem a priorizar mais do que são capazes de entregar
  2. Decisões que vão e voltam e são tomadas em cima da hora, tornando tudo ineficiente
  3. Não ser capaz de inovar rápido o suficiente e perder o time to market. Normalmente a empresa possui uma série de disfunções, ou time incapacitado, e a inovação/velocidade não acontece. Uma solução que algumas empresas adotaram é criar uma unidade de negócio separada para dar velocidade e autonomia para algumas equipes.
  4. Sem forma consistente ou transparente de medir o sucesso dos produtos — a não ser por receita, o que coloca a empresa e a equipe de produtos numa situação ruim, na qual o foco é dinheiro e não resolver problemas com bons produtos (algo que leva tempo mas o resultado é muito superior)

Esses erros acima geram grandes disfunções nas empresas. i) Perda e tempo e/ou dinheiro; ii) Oportunidades de aumento de receita são perdidas; iii) A empresa começa a perder a sua vantagem competitiva; iv) Demorar muito para matar produtos e deixar um legado enorme de ‘produtos zombie’ que dão uma certa renda extra mas no fundo tiram o foco de uma série de profissionais que poderiam estar atacando produtos com um potencial maior;

3.3.1 O que se perguntar para endereçar esses problemas
  • Utilizar o que já tem: Que tecnologias e ativos (assets) temos atualmente que podemos utilizar para alavancar o nosso negócio atual ao invés de investir em criar algo do zero?
  • Tentar detectar a necessidade de novas habilidades e recursos: temos as pessoas certas e com as habilidades certas? E os nossos ativos atuais dão apoio aos novos investimentos para inovação?
  • Condições do mercado em constante mudança e novos concorrentes: Como podemos garantir que podemos agir com rapidez e ter uma vantagem competitiva?
  • As equipes de produto e engenharia agora precisam focar em muitas variáveis como tecnologias, serviços, localização, apps, mensagens e outros itens essenciais — geralmente ao mesmo tempo. Como podemos garantir que estamos conectando todas as equipes e mapeando as dependências para garantir que cada lançamento seja bem-sucedido?

Além de se fazer as perguntas acima e tentar responder elas de uma maneira completa e sem correria, o ideal é fazer os 4 passos abaixo também:

  1. Tomar decisões mais baseadas em dados do portfolio (e não necessariamente apenas números financeiros)
  2. Consistentemente seguir o processo de portfólio (obviamente para ter um processo você precisa criar um primeiro);
  3. Realocar pessoas e dinheiro para inovações de maior oportunidade — não necessariamente o que tem o maior valor no presente;
  4. Aumentar o foco (investimento de tempo) no gerenciamento de porftólio ao invés de reuniões demoradas e análises puramente financeiras.

Espero que esses insights possam ajudar qualquer profissional (seja agora, em 2019, seja no futuro) a resolver os problemas de estratégia de produto na sua empresa. Não acho que exista uma resposta correta para isso e sim vários métodos diferentes. Meu objetivo aqui era apenas compartilhar o que aprendi até hoje com as experiências que tive.

Se você que chegou até o fim do artigo tiver outros insights de como melhorar a estratégia de produto dentro das empresas, por favor, deixe um comentário e vamos discutir para crescer juntos. Só assim vamos ser capazes de inovar mais e aumentar a receita ao mesmo tempo.

Originalmente publicado no blog da Cursos PM3

A maior causa disso são os novos serviços de streaming — em especial de filmes e séries

A pirataria reduziu bastante nos últimos anos com a popularização de serviços de streaming como o Netflix. O problema é que isso começou a mudar lentamente em 2018 e a tendência é mudar drasticamente nos próximos anos.De acordo com o relatório Global Internet Phenomena de 2011 o compartilhamento de arquivo via Torrent (legal ou ilegal) girava em torno de 52% nos EUA e na Europa 59%. Porém, em 2015, esses números caíram drasticamente, chegando a 26% nos EUA e 21% na Europa.

No Brasil a situação é até um pouco mais agravante porque muitas séries passam apenas nos EUA e não têm boa distribuição internacional, então as pessoas fazem o download já que não possuem acesso ao conteúdo. O Game of Thrones, por exemplo, é tão popular que a menos que seja lançado ao mesmo tempo no mundo todo, as pessoas farão o download no momento em que estiverem disponível em qualquer lugar.

Neste artigo escrevo um panorama geral sobre o mercado para ilustrar como essa nova situação deve aumentar a pirataria novamente.

Netflix e a sua predominância global

No mundo inteiro o Netflix é a referência quando se trata de streaming de filmes e séries. Acontece que ele não é mais o único player no mercado global e no Brasil a concorrência também está ficando acirrada com o Globo Play, a chegada do Amazon Prime Video e outros serviços como HBO Go e o Now da NET/Claro. De acordo com o relatório Global Internet Phenomena, o streaming de vídeo representa 58% de todo o tráfego global, e só o Netflix possui 26% de todos os dados de streaming consumidos — não é à toa que outras marcas estão entrando nesse mercado.

Vamos supor que você queira assistir a série “Stranger Things”, dai você vai para o Netflix. Mas e se você quiser assistir “The Office”? Vai precisar ter uma assinatura do Amazon Prime Video. E que tal “House”? Vai precisar assinar Globo Play. E, como todos sabem, para ver Game Thrones precisa ter HBO Go. Isso sem comentar todas as outras séries exclusivas que cada serviço de streaming produz.

Fun fact: Game of thrones foi durante seis anos seguidos o programa de TV mais pirateado no mundo. Eles chegaram em um pico de downloads simultâneos de até 400 mil pessoas.

Disney+

A coisa fica pior quando paramos para pensar que a Disney vai lançar o seu serviço de Streaming nesse ano (2019) e todo o seu acervo de conteúdo sairá do Netflix — isso inclui os filmes da Marvel, todos os filmes e desenhos da Lucas Film (produtora do Star Wars), filmes da Pixar, acervos da Fox e muito mais.
A Disney inclusive lançou um site já intitulado “Disney+” com os logotipos da Pixar, Star Wars, National Geographic e Marvel. Em 2017 eles anunciaram que tirariam todos os seus filmes da Netflix em 2019 (começando pelos EUA) para lançar o seu próprio serviço de streaming. No ano passado compraram a Fox por US$ 71,3 bilhões, reforçando ainda mais sua biblioteca já que a Fox é detentora de grandes títulos como American Horror Story, Outlander e até mesmo Family Guy. O Disney+ também contará com novas séries e filmes originais, incluindo séries originais do Loki. A briga pela sua assinatura mensal vai ser muito feia e quem perde é a gente.

A meu ver a Disney é a que vai causar um dos maiores estragos no mercado de Streaming. Eles virão com muita força com conteúdo novo e exclusivo fora os vários clássicos (Aladdin, Rei Leão e outros) que vão dar uma base forte.OBS: Os acordos entre Disney e Netflix são feitos para cada país, portanto ainda não se sabe quando os títulos sairão do Netflix Brasil.

OBS: Os acordos entre Disney e Netflix são feitos para cada país, portanto ainda não se sabe quando os títulos sairão do Netflix Brasil.

A Disney é sócia do Hulu (serviço de streaming ainda não disponível no Brasil) junto com a Fox, a AT&T e a Comcast. Mas a aquisição da Fox dará à Disney participação de 60% no Hulu, permitindo que ela tenha maior controle sobre o futuro deles.

No fim do ano passado o CEO da Disney disse o seguinte:

“Achamos que há uma oportunidade de aumentar o investimento no Hulu, especialmente no lado de conteúdo. Com essa aquisição, não conseguimos apenas algumas grandes [propriedades intelectuais], mas também alguns excelentes talentos, particularmente no lado da TV”.

Além disso ele também falou brevemente sobre alguns planos para o Hulu que além de querer aumentar a base de assinantes querem criar mais conteúdo original e entrar em mercados internacionais — então pode ser que boa parte do conteúdo exclusivo da Disney entre para o Hulu também.

AT&T e WarnerMedia

A gigante das telecomunicações AT&T é mais uma grande empresa que irá lançar um serviço de streaming próprio. Através do seu conglomerado WarnerMedia, ela pretende colocar no mercado mais um concorrente para o Netflix até o quarto trimestre de 2019 — por enquanto sem data para chegar no Brasil.

A empresa divulgou que o novo serviço irá contar com o portfólio de séries e filmes da HBO e da Warner Bros — para quem não sabe a AT&T comprou a HBO em 2018. Isso é um indicativo de que o serviço pode ser uma espécie de sucessor do serviço atual da HBO.

O fim do Youtube Premium

Ano passado o YouTube lançou o YouTube Premium (antigo YouTube Red) com conteúdo próprio e exclusivo (um deles foi a continuação do Karate Kid — Cobra Kai — em formato de série. Muito bom, por sinal!). Mas recentemente anunciaram que estão cancelando o plano de assinaturas e irão disponibilizar seu conteúdo premium gratuitamente, com anúncios, para todos os usuários do YouTube. O USA Today publicou um artigo sobre a mudança, intitulado “Nem todo mundo está disposto a pagar por assinaturas. Basta perguntar ao YouTube”. De acordo com o artigo as pessoas estão cansadas de tantas assinaturas e eu concordo plenamente com isso.

O YouTube viu à evolução do mercado de streaming de vídeo e tentou replicar o modelo. Funcionou para o Netflix, funcionou para a Amazon. funcionou para o Hulu, tem funcionado para a Globo… por que não iria funcionar para o Youtube? Simples. Saturação do mercado.

Update: O Youtube voltou atrás e manteve a versão Premium.
No mercado do futebol as coisas não estão tão diferentes

O mais engraçado é que estamos vendo um movimento semelhante no mercado de futebol global e no Brasil isso começou a acontecer de maneira mais aparente nesse ano de 2019 já que finalmente o grupo Globo tem ganhado uma concorrência respeitosa para as transmissões de futebol.

Em 2019 o Esporte Interativo irá fazer pela primeira vez transmissões da Série A do Campeonato Brasileiro. Curiosamente o Facebook vai transmitir os jogos da Libertadores também. Eles compraram os direitos de transmissão do campeonato de 2019 até 2022 e poderão passar um jogo da competição por semana gratuitamente pela plataforma, o que acontecerá às quintas-feiras. Esta não é a primeira vez que a empresa faz este tipo de ação. Atualmente, o Facebook transmite a Liga dos Campeões, após fechar parceria de conteúdo com a Fox. O campeonato europeu é transmitido na rede social no Brasil pelo Esporte Interativo através da página do El no Facebook.

E o streaming de música? A pirataria nesse segmento deve seguir caindo

A indústria de aúdio (música, podcast etc), por outro lado, é dominada pelo Spotify enquanto o Apple Music está crescendo vertiginosamente ano após ano. É super interessante ver que em comparação com a indústria de vídeo a da música se saiu bem mesmo que durante anos tenha sofrido por causa do Kazzaa, Emule e tantos outros. A pirataria exagerada em meados de 2000 até mais ou menos 2012 levou as gravadoras aos braços da Apple, que criou o conceito de vender músicas ao invés de vender o álbum inteiro. O streaming voltou com o conceito de escutar álbums e o preço acessível facilitou isso.

O problema dessa indústria na verdade é outro. Enquanto as gravadores resolveram licenciar tudo para o Spotify, Apple Music e outros, as empresas de streaming não conseguiram uma base de usuários suficiente para atrair fornecedores (artistas e gravadoras) — e esse é exatamente o problema: as margens dessas empresas estão completamente à mercê das gravadoras e, mesmo após uma renegociação das taxas e royalties, elas ainda não conseguem mostrar um crescimento saudável.

Nesse segmento o problema para o consumidor está bem resolvido — se trata mais de um problema da empresa que faz o streaming em si. Outro problema é que nenhum desses serviços são fortes em criação de conteúdo próprio (para isso teriam que se tornar uma gravadora) o que deixa eles ainda mais a mercê das gravadoras e artistas.

ConclusãoAparentemente um dos principais fatores da pirataria é que muitos países não possuem acesso a conteúdos exclusivos e então as pessoas precisam piratear para assistir. Portanto, com o aumento de conteúdo exclusivo já que os serviços de streaming deve se multiplicar nos próximos meses, isso deve alavancar a pirataria no nível global.

Mas não é só isso, o “unbundling” da disponiblidade do conteúdo é um grande agravante também. O pior de tudo é que é curioso como as empresas não aprendem com a história — imaginem se cada gravadora quisesse lançar seu serviço de streaming. É justamente nesse caminho que o mercado de streaming de vídeo está indo (na direção contrária!). É uma pena ver que eles irão, muito provavelmente, repetir o erro das gravadoras que tentaram ao máximo fugir da Apple, Spotify, Deezer, Rdio (RIP) e outros. Se a tendência atual se mantiver, dentro de alguns anos os consumidores serão obrigados a assinar uma quantidade exobirtante de serviços de streaming com o preço de R$ 20 a R$ 35 por mês apenas para obter todo o conteúdo que estão procurando.

Além do custo tem também a experiência do consumidor que será prejudicada. Com tantos serviços disponíveis o seu esforço para encontrar uma determinada série ou filme será muito maior — vai chegar num ponto que você vai esquecer quem é detentora de determinados conteúdos e com isso a experiência vai ficar horrível pois você terá que ficar acessando todos os serviços para descobrir se tem o que você quer assistir. Vejo algumas possibilidades, 1) Baixar o filme pela praticidade (aumentar a pirataria); 2) Assistir pelo Popocorntime ou similares (aumentar pirataria) ou; 3) Alguém desenvolver um serviço que agrega todos os serviços de streaming e diz onde está disponível cada série e filme mas duvido muito que algo de tremenda qualidade apareça sem a colaboração de cada serviço abrindo as suas APIs.

Usando como referência a história recente dos serviços de streaming de música, levará cerca de dois anos para a indústria identificar e admitir que isso de exclusividade está aumentando gradativamente a pirataria. Quando chegar nesse ponto, eles provavelmente queimarão uma grana em “soluções” como tentar barrar todo mundo que compartilha senha ou vão tentar algo estúpido como CODEC (lembram disso?) ou vão tentar, mais uma vez, derrubar a indústria de torrents, para então chegarem na conclusão central: é melhor licenciar o conteúdo para empresas boas e focadas nisso (como o Netflix) — em vez de todo mundo lançar seu próprio produto de streaming.

Dicas e lições aprendidas de como ir do Output driven ao Outcome driven

Durante toda minha carreira como Gerente de Produto fui evoluindo cada vez mais para o lado de entregar resultados ao invés de simplesmente entregar funcionalidades. Quem mais me ensinou isso foi o Thomas Floracks, VP de Produto e Fundador do VivaReal, que sempre fez as perguntas certas para me fazer refletir “Nós queremos ser output driven ou outcome driven?”. Conforme fui mudando a forma de pensar para focar em resultados (outcome) fui percebendo que é um trabalho muito mais difícil porque você precisa pensar muito mais no cliente e se aprofundar nos problemas deles.

Recentemente fui ao Lean Startup Conference de 2017 e participei de um Workshop com Bruce McCarthy, um dos autores do livro Product Roadmaps Relaunched. O Workshop abriu ainda mais a minha mente sobre como criar roadmaps focados em resultados ao invés de meras funcionalidades.

No final do Workshop algumas pessoas ganharam o livro e eu fui um dos sortudos. Desde então esse livro virou uma grande referência para mim — super recomendo a leitura. Porém tem um trecho que discordo e é justamente quando ele fala como transformar soluções (output) em resultados (outcomes).

Vou usar o livro como base para explicar como você pode criar iniciativas, hipóteses ou experimentos mais voltados para resultados do que soluções e aproveitar para apontar uma pequena mudança no que foi proposto pelos autores do livro.

No exemplo do livro está dessa forma:

O problema é que eu não acredito que a descrição de outcomes devessem ser tão fracas assim. Acredito que eles precisam ter um racional mais bem explicado. No livro os autores usam a terminologia “Themes” para criar hipóteses. Para chegar onde eu quero primeiro vou explicar antes um simples conceito de Hipóteses Fracas vs Hipóteses Fortes

Existem dois tipos de hipóteses

Hipotese fraca

Se o funil de compra tiver menos páginas, vamos aumentar a conversão de compra da loja

Hipótese forte

Se a navegação for removida das páginas de checkout, a taxa de conversão em cada passo vai aumentar porque o analytics do site mostra que uma porção desses usuários está deixando a página antes de clicar no link de navegação dessas páginas
Você percebe a diferença?

Criando hipóteses

“Se [variável], então [resultado], porque [racional].”

Variável

  • O elemento que vai ser modificado
  • Isole essa variável para testar sua hipótese (pode ser através de A/B test ou prototipagem)
  • Pense no Call to action, visual ou formulário

Resultado

  • Preveja o resultado
  • Use dados para determinar o efeito dele
  • Mais e-mails? Mais signups? Mais CTA? Mais conversão? Mais CTR?

Racional

  • Demonstre o quanto você conhece os seus usuários
  • O que vai estar provado ser incorreto caso o experimento seja igual ou inferior ao atual?

Exemplo de como formular hipóteses

“Se as imagens chamarem mais atenção, então a taxa de clique vai aumentar, porque sabemos que as imagens são um dos fatores mais importantes para quem busca um imóvel.”

Acima é um exemplo real de pesquisas que fizemos no VivaReal quando eu ainda era Product Manager lá. Você consegue notar a diferença entre uma hipótese fraca com racional quase nulo versus uma hipótese forte com um racional que faz sentido e possui evidências?

Um bom Gerente de Produto precisa gostar de ser questionado e desafiado. Quando você apresenta uma hipótese mais forte, com um estudo e evidências por trás, você está se abrindo mais para tomar porradas com questionamentos do que simplesmente feedbacks como “ah, eu não concordo”. Dessa maneira você basicamente enriquece todo o processo de definição dos próximos passos do seu produto.

A minha alteração para a tabela que foi proposta no livro é a seguinte:

Parece uma mudança pequena mas não é. Gerentes de Produto são canalizadores de boa parte da comunicação dentro de uma empresa e as vezes até mesmo para fora. Pequenas melhorias na comunicação podem ter um efeito enorme no alinhamento e buy-in.

Acredito muito que a melhor forma de identificar se um gerente de produto é bem-sucedido é o feedback que você ouve das outras áreas e engenheiros que trabalham com ele. Eles entendem como e porque o PM está tomando certas decisões? Ele é flexível o suficiente para lidar com o roadmap e fazer todo mundo estar na alinhado em relação ao que foi decidido?

Independente se você trabalha em B2B ou B2C você precisa conseguir se comunicar bem. Explicar o porquê de você estar tomando determinadas decisões, seja no seu roadmap ou durante reuniões, é o que vai fazer a diferença. Comunicação é chave.

Não tem problema ter funcionalidades no seu roadmapÀs vezes vai ser necessário incluir soluções no seu roadmap ao invés de apenas outcomes guiados pelas necessidades do usuário. Por exemplo, supondo que você esteja implementando um novo sistema de busca, pode ser que o time já tenha decidido usar o Elasticsearch e portanto no seu roadmap você poderia colocar, sem problema algum, algo como “Elasticsearch: Prova de conceito”. Vamos supor outro exemplo no qual seria criar um sistema de pagamento para o seu produto. Nesse caso você também poderia ser mais especifico escrevendo algo como ” Billing: Integrar com Pagar.me”

Desde que exista uma justificativa explicando por que você está definindo uma solução está tudo bem colocar elas no roadmap. Não precisa forçar a barra para sempre criar outcomes.

1 — E você? Tem feito um planejamento guiado por resultados e evidências ao invés de apenas funcionalidades? Se precisar de ajuda ou simplesmente quiser trocar ideia sobre isso é só me procurar no Linkedin ou Twitter.
2 — Quer se aprofundar nesse assunto? Eu falo sobre isso, roadmap e priorização no melhor curso de Product Manager online, o Cursos PM3.